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A história escondida nos comandos que você usa todo dia no Linux

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3 min read
A história escondida nos comandos que você usa todo dia no Linux

Quem nunca abriu o terminal e digitou ls, cat ou grep sem pensar duas vezes?
Pra gente, são só comandos do dia a dia. Mas por trás deles tem uma história de mais de 50 anos, que começou muito antes do Linux existir.

A maioria desses comandos nasceu no Unix dos anos 70, dentro dos laboratórios Bell, e continua firme até hoje. E o mais curioso: a lógica deles praticamente não mudou em meio século.

O velho ls

O ls foi criado em 1971. A ideia era só listar arquivos num diretório simples assim. O nome curtinho segue a filosofia Unix: comandos pequenos, rápidos de digitar. Até hoje continua sendo um dos mais usados no Linux.

grep — um nome estranho que virou verbo

Já o grep surgiu em 1973. O nome vem de uma expressão usada no editor ed: g/re/p (global / regular expression / print).
Quem inventou foi Ken Thompson. E não demorou para o comando virar essencial na vida de qualquer sysadmin. Hoje em dia, todo mundo fala “grepa esse log aí” como se fosse verbo.

awk — uma linguagem dentro do terminal

Esse aqui é de 1977. O nome vem das iniciais dos criadores: Aho, Weinberger e Kernighan.
Não é só um comando: é uma mini linguagem de programação feita pra lidar com textos e relatórios. Mesmo com Python e outras linguagens modernas, ainda tem muita gente que prefere um awk rápido num script. (Meu chefe, por exemplo, é fã do awk. Quando começa a usar, parece que tá escrevendo uma string da Matrix.)

sed — edição em fluxo

Também dos anos 70, o sed significa stream editor. Ele permite alterar arquivos sem precisar abrir num editor. Até hoje é usado em automações e em substituições em massa de texto. (Utilizo bastante para alterar os repo do centos 7 para o repositorio vault)

Ex :

sed -i s/mirror.centos.org/vault.centos.org/g /etc/yum.repos.d/CentOS-*
sed -i '/^#baseurl=http/ s/^#//' /etc/yum.repos.d/CentOS-*
sed -i 's/^mirrorlist=http/#&/' /etc/yum.repos.d/CentOS-*

cat — o comando que virou polêmica

Criado em 1971, o cat vem de concatenate. Servia para exibir o conteúdo de arquivos na tela e também para concatenar (juntar) vários arquivos em um só.
É útil, mas acabou virando motivo de piada: o famoso “useless use of cat” quando a galera usa cat sem necessidade.

O editor que nunca morre: vi

O vi apareceu em 1976, criado por Bill Joy. O vim (Vi IMproved) veio depois, em 1991.
Se tem uma coisa que não mudou desde então é a piada: “como sair do vi”. (esse eu adoro, não sei usar outro a não ser o vim)

tar — do tempo das fitas

O tar (Tape ARchive) nasceu nos anos 70 como um jeito de juntar vários arquivos em um só, preservando datas e permissões.
Hoje é padrão no Linux e até programas de Windows, como o 7-Zip, conseguem abrir arquivos .tar.

E por que eles ainda estão aqui?

A resposta é simples: porque funcionam.
A filosofia Unix sempre foi: “faça uma coisa e faça bem feita”. Esses comandos fazem exatamente isso, e por isso continuam firmes até hoje.

Quando você roda um ls no seu servidor em 2025, tá usando o mesmo raciocínio que engenheiros de 1971 usavam em máquinas gigantes.

Como pode, né? Coisas criadas nos anos 70 ainda são usadas hoje de forma padrão. E, mesmo que você tente, não existe um motivo para mudar: funcionam tão bem que continuam firmes até hoje.
Os comandos que listei aqui têm diversas funções e ajudam em milhares de soluções — ou até na criação de várias outras coisas.

É isso, pessoal! Até a próxima!